Com condenação bilionária a frente, Google ameaça cobrar pelo Android

Quando o Tio Ben resolveu aconselhar Peter Park ele disse, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. No entanto, talvez o personagem coadjuvante da Marvel tenha esquecido de adicionar um pequeno detalhe: com grandes poderes, as multas que você pode receber são gigantescas. Hahaha.

Brincadeiras a parte, esse está sendo o caso do Google, que vem passando por maus bocados e ganhou mais um processo vindo da União Europeia. Sendo acusado de monopolizar o mercado europeu, a gigante de buscas está diante de uma multa de 4,3 bilhões de euros, o equivalente em conversão direta a quase R$ 19 bilhões de reais.

shutterstock-488632870-1.jpg
Imagem: Naked Security

Condenado no passado por violar algumas leis europeias de antitruste, o Google é trago de novo ao tribunal da União, sendo acusado dessa vez de utilizar o Android como veiculo para “cimentar sua dominância como uma ferramenta de busca”, ferindo a liberdade dos consumidores e desestimulando a inovação de empresas europeias.

De acordo com o tribunal, três ações ilegais da empresa foram consideradas para compor o valor da multa, sendo uma delas o fato da companhia obrigar que as fabricantes pré-instalem alguns dos seus apps (como o Google Search e o Google Chrome) como prerrogativa para utilizarem a Play Store.

A União ainda acusou o Google de incentivar financeiramente fabricantes e operadoras a pré-instalarem com exclusividade o seu sistema de buscas, além de impedir que as companhias vendam seus aparelhos com versões alternativas do Android, que possui código aberto.

android-pay.jpg
Imagem: Startupi

Tais ações permitiram que a empresa pudesse abocanhar cerca de 90% do setor de buscas em grande parte dos países da UE – o que pode ser considerado praticamente um monopólio. Margrethe Vestager, comissária integrante da comissão de competição da UE, fez questão de ressaltar que a União permite empresas bem-sucedidas e com dominância de mercado, mas destacou que essas companhias devem ter responsabilidade e não podem impedir que outras empresas compitam baseadas em mérito.

Android pago

Com um prazo de 90 dias para encerrar a conduta considerada ilegal, o Google deve recorrer da decisão e apesar de todos os olhos estarem voltados para o departamento jurídico da empresa, quem usou uma carta para desabafar sobre a condenação foi o seu CEO, Sundar Pichai.

11112651737738-t1200x480.jpg
Imagem: Tecmundo

Pichai declarou que atualmente a estratégia de lucros adotada pela empresa com relação ao sistema operacional gira basicamente em torno das buscas utilizando o Google, sua loja de aplicativos e os seus apps embutidos, e afirmou que caso a decisão da União Europeia não seja revogada com as apelações da companhia, o modelo de negócios do Android estaria ameaçado, colocando em risco inclusive a sua gratuidade.

Dando a entender que para manter o desenvolvimento do sistema a empresa iniciaria a cobrar as mais de 1300 fabricantes pela utilização do Android, Pichai chegou a comparar a condenação com um episodio similar que envolveu a Microsoft nos anos 90 , onde, na ocasião, a  desenvolvedora do Windows foi acusada de monopólio por embutir o Internet Explorer no Windows. O CEO afirmou que hoje em dia a facilidade para remover um app é muito maior e o usuário tem a total liberdade para escolher qual será o seu navegador padrão ou até mesmo uma outra loja de aplicativos, por exemplo.

Apesar de soar como um blefe, a carta nos deixa em alerta, uma vez que caso a posição da União Europeia se mantenha e o Google resolva aplicar as modificações na estratégia de lucros do Android, é possível que as fabricantes repassem o preço pago pelo sistema operacional ao consumidor final, encarecendo ainda mais os seus produtos.

 

Autor: Philipe Farias

Fonte: Tudo Celular